Nasci em Recife no dia de Todos os Santos e me criei em Salvador, na cidade de Todos os Santos. Sou atriz-pesquisadora, palhaça e escolhi a arte como caminho de vida. Em dezembro de 2007 resolvo sair da Bahia e ir em busca de um grande sonho. Mudo-me para Olinda (PE), volto para minha origem, meu berço e me reconheço finalmente. Em 2011 retorno para Bahia, agora para o Vale do Capão. E me deparo com um lindo caminho... Aqui apresento um pouco de tudo do que vim buscar e do que acredito.





Sejam bem vindos!

CONTATO:

(81) 9600-5165

vivianemaior@ig.com.br

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terça-feira, 19 de abril de 2011

FREVO NO CAPÃO!!!

No final de semana passado apresentei a aula-espetáculo "Fervo, Frevo" e dei oficina de frevo no Vale do Capão(Chapada Diamantina) mais especificamente no CIRCO DO CAPÃO!Foi mágico...indescritível, realmente muito, muito especial. Muita chuva, muito frio e o picadeiro "fervendo com o frevo"!!! Depois da apresentação um lindo presente: um show de música flamenca com artistas da Andaluzia. No outro dia oficina para Marcelo e Louise, simplesmente... um grande encontro.Sinto que muita coisa estar por vir.

GRATIDÃO.

p.s.-Depois irei postar algumas fotos.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Programação BOI MARINHO.

Boi Marinho.


Pois é minha gente, como minha pesquisa também envolve o CAVALO MARINHO aí vai uma foto do BOI MARINHO (criado por Hélder Vasconcelos) onde brinco desde 2008!A brincadeira é muito boa e não precisa de pré-requisito.IMPORTANTE!!! O BOI MARINHO faz parte da programação NÃO OFICIAL do carnaval...(por opção!)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

CARNAVAL do Recife.

Fred Monteiro me envia a gravação de um frevo de sua autoria, na voz do inigualável Claudionor Germano e o acompanhamento da orquestra do Maestro Spock.

Um frevo com andamento e melodia bem ao gosto dos sucessos de Capiba, Nelson Ferreira e Luiz Bandeira, e que leva por título a frase poética Coração Recifense.

Mas de que adianta um frevo de tamanha qualidade se o Carnaval do Recife estará entregue aos “sucessos carnavalescos” gravados pelas musas Maria Gadú, Marina Lima, Fernanda Takai, Zélia Duncan, Céu, Karina Buhr, Roberta Sá e Mariana Aydar,

De que adianta se o verdadeiro Recife, aquele que vive dentro de nós, os mequetrefes da Prefeitura ameaçam em sepultar. Por conta desses mesmos mequetrefes somos obrigados a aturar SONS, VOZES, SOTAQUES dessas melodias alienígenas????

Parabéns, meu amigo.

Espero que neste Carnaval de 2011 reste para todos nós "um bombo, uma mulata e um trombone de prata, para o teu frevo sobreviver". Que nele reine a alegria de todos nós, tão carentes da felicidade do Reino Azul da Fantasia que sempre estão a nos roubar a cada carnaval que passa.

Leonardo Dantas Silva
(leodantassilva@uol.com.br 9 de fevereiro de 2011)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

19/02/2009

Rua da Imperatriz. Noite. Guerreiros do Passo... Guarda-chuvas. Chapéu. Cerveja. Paletó. Carnavais antigos... Uma boa orquestra. É o “Escuta Levino” que se concentra. Não participei dos carnavais de antigamente, onde as troças passavam pelas ruas do Recife, pela Imperatriz, São José, Recife Antigo, mas é como se uma grande sensação de nostalgia e lembranças me tomassem, como se revivesse (mesmo sem ter vivido) esses antigos carnavais. Muita emoção, muito frevo, muito sangue quente e o passo no pé! Mais uma vez tive a imensa alegria de dançar na rua, como tem que ser, como era. Começamos no início da Imperatriz, primeiro os Guerreiros saíram na frente da troça e logo depois saíram atrás da orquestra. Pouca gente na rua, muito espaço pra dançar e se jogar. Dancei muito, eles são muito receptivos, atenciosos, sempre dispostos a ensinar, lhe puxar pra brincadeira. Arrisquei uns passos, mandei a timidez para o espaço e me entreguei ao FREVO! Sombrinha na mão, sapatilha no pé, corpo quente e parece que a alegria lhe invade por completo... Me sinto plenamente feliz quando danço frevo. Hoje fui para brincar, deixar a pesquisadora de lado e me tornar uma foliã. Fomos do início da Imperatriz até o Marco Zero fazendo o percurso de antigamente, na ponte da Imperatriz cruzamos com algumas freviocas e trios elétricos, oooouuuutra energia, oooouuuutra proposta, o frevo (principalmente o passo) mais estilizado... A orquestra do “Escuta Levino” continuou a tocar depois que passou da ponte e dos trios. Me disseram um fato curioso... É que as orquestras páram de tocar quando passam por cima das pontes, para não correr o risco de acontecer algum acidente devido ao som das orquestras e a dança da multidão, pois já são muito antigas... Esse fato eu desconhecia. Será mesmo que há esse risco ou era uma puia (como dizem por aqui)? Bem, melhor não arriscar! Vamo que vamo! Seguimos até o Antigo e quando chegamos à Praça do Arsenal havia uma multidão, dois blocos que vinham ao encontro do nosso! Ainda tentamos seguir tocando, mas ficou impossível de continuar. Paramos, retomamos perto da Torre Malacoff seguimos até o Marco Zero e lá, aos poucos, a troça se desfez. Posso dizer que me senti em outra época, sentindo, vivenciando e aproveitando cada momento daquilo que vim buscar, daquilo que me faz me sentir viva.

Viviane Souto Maior (19/02/2009)

sábado, 8 de janeiro de 2011

Trançados Musculares.

Abertas as inscrições para as OFICINAS do
17º Janeiro de Grandes Espetáculos:
:

Trançados Musculares – Saúde Corporal e Ensino do Frevo (Valéria Vicente e Kiram/Giordani Gorki)

De 17 a 21 de janeiro l segunda a sexta l 18 às 22h ou de 24 a 28 de janeiro l segunda a sexta / 14 às 18h / Torre Malakoff (Bairro do Recife)/ 20 vagas por cada período / Gratuita

A partir da pesquisa técnica a respeito das características da dança frevo no que diz respeito às exigências osteomusculares dos dançarinos, a oficina tem por objetivo propor exercícios baseados no próprio frevo que sirvam de alongamento e preparação corporal de forma complementar aos métodos de ensino já existentes, prevenindo possíveis lesões.

Informações e inscrições no SATED/PE (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão do Estado de Pernambuco – Casa da Cultura, Raio Oeste, 2º andar. Tel. 3424 3133).

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ARTIGO publicado na revista CONTINENTE em novembro de 2010.

Artigo de
VIVIANE SOUTO MAIOR
Fervo, frevo:
aula-espetáculo

A contribuição do frevo para uma pesquisa nas artes cênicas.

Você conhece o frevo pernambucano? É muito provável que conheça apenas as canções mais famosas como Vassourinhas (Matias da Rocha e Joana Batista Ramos) e Madeira que cupim não rói (Capiba) e que as escute somente no período carnavalesco ou até mesmo só no Carnaval. E a dança do frevo? O famoso (ainda não tão conhecido) passo? Nas ruas, arrisca-se um passo, sugere-se uma tesoura, desfila-se com sombrinhas e veste-se a camisa do carnaval pernambucano, apenas naquela época determinada do ano. Entretanto, não somente no aspecto musical, mas também na sua dança, o frevo vem se tornando referência artística de grande importância e representatividade, sendo pensado como arte que transcende o período carnavalesco.

O frevo é um dos elementos da cultura popular pernambucana que tem ganhado visibilidade, a partir de investigações recentes realizadas por artistas e pesquisadores, tanto no campo de pesquisas acadêmicas, como em resultados cênicos. Entre as novas investigações, que pensam o frevo enquanto arte e que enxergam nele, em especial no passo, uma riqueza de material com possibilidades artísticas variadas a serem conhecidas e trabalhadas, está o projeto Fervo, frevo: aula-espetáculo, contemplado em 2009 pela Bolsa Funarte de Produção Crítica sobre as Interfaces dos Conteúdos Artísticos e Culturas Populares, por meio do Ministério da Cultura. A pesquisa, por mim desenvolvida e que tem como resultado uma aula-espetáculo, busca incorporar elementos da dança frevo no treinamento do ator-dançarino e na criação cênica. Outro trabalho que vem sendo desenvolvido a partir da dança frevo, é fruto das pesquisas e investigações da coreógrafa Valéria Vicente. O frevo também foi matéria prima para suas pesquisas práticas que resultaram nos espetáculos de dança “Fervo” (2007), “Pequena Subversão” (2008) e no livro “Entre a ponta de pé e o calcanhar” (2010). O Professor de Educação Física Chikashi Kambe, da Tokyo Gakugai University, (universidade situada na cidade de Tókio no Japão) desenvolve estudos sobre a dança do frevo e sobre o carnaval pernambucano e atualmente realiza aulas da dança no seu país.

A dança do frevo é extremamente rica e possui uma gama de elementos que precisam ser contemplados e divulgados, principalmente visando à valorização e ao conhecimento do passo, para que não fique exclusivamente vinculado à folia momesca e à extroversão, o que resulta numa visão que desconsidera as suas variadas possibilidades, modalidades e nuances.

O frevo surgiu nas ruas do Recife no fim do século 19 e se estruturou como forma artística no decorrer do século 20. Sua dança começou a ser elaborada de maneira sistematizada somente na década de 1970, pelo Mestre Nascimento do Passo, que desenvolveu um método, com o objetivo de perpetuá-la às novas gerações.

A metodologia criada por Nascimento se tornou um grande facilitador para a pesquisa, no que diz respeito ao entendimento e aprendizado do passo, permitindo que alguns princípios também utilizados no teatro (dentro do treinamento do ator-dançarino) fossem facilmente percebidos, apreendidos e trabalhados. O projeto Fervo, frevo: aula-espetáculo é o resultado de uma pesquisa para as artes cênicas, que tem como base o frevo e em especial o método do Mestre Nascimento. Outra referência do trabalho é o grupo Guerreiros do Passo, formado por discípulos do Mestre Nascimento, que há cinco anos desenvolve um projeto de aulas gratuitas de dança em praças e ruas da Região Metropolitana do Recife, sem nenhum tipo de incentivo e apoio de instituições particulares ou governamentais.

A pesquisa estabelece o diálogo entre o método criado por Nascimento e o pensamento da Antropologia Teatral. O encontro e o diálogo entre essas duas linguagens artísticas acontecem com o foco no trabalho do ator através de alguns princípios da dança identificados e trabalhados para o treinamento e para criação cênica. A Antropologia Teatral se vale de princípios identificados na base dos diferentes gêneros, estilos e papéis das tradições pessoais e coletivas, para o estudo do comportamento cênico pré-expressivo, propondo-se a descobrir os princípios transculturais que constroem sobre o plano operativo a base do comportamento cênico, sendo dever do ator conhecer tais princípios e explorar incessantemente todas as possibilidades práticas.

Com as apresentações da aula-espetáculo, resultante dessa pesquisa, é possível identificar o interesse e admiração do público pelo frevo, ao mesmo tempo em que perceber a sua falta de conhecimento sobre o assunto. No debate final torna-se evidente a curiosidade dos espectadores e a vontade de discutir e conhecer melhor a dança, o método e a pesquisa. A grande descoberta para esse trabalho e que permanece desconhecida pela maioria das pessoas é o trabalho com as modalidades da dança frevo identificadas por Mestre Nascimento do Passo. Além dos 40 passos básicos que integram o método, existe um trabalho com diferentes qualidades corporais, que são maneiras distintas de se dançar o frevo. O trabalho com as modalidades contribui para o enriquecimento do treinamento do ator-dançarino, assim como favorece a criação de personagens e situações cênicas. Alguns exemplos de modalidades identificadas por Nascimento são: a modalidade do ginasta, do bêbado, da criança, do cinqüentão, da mulher pernambucana, do capoeira, do carancolado, da boneca, entre outros.

Ainda falta um reconhecimento ao trabalho artístico e pedagógico, de valor histórico e social, realizado por Nascimento do Passo. A seu respeito, encontramos depoimentos de foliões, carnavalescos, alunos, em livros e jornais, destacando a importância e sabedoria do seu legado e a sua dedicação e paixão pelo frevo. “O trabalho de Nascimento é, acima de tudo, um exemplo de resistência cultural, de luta política para retirar o frevo e o passo dos parâmetros do exclusivamente carnavalesco ou folclórico”, escreve a pesquisadora Maria Goretti Rocha de Oliveira, em seu livro Danças populares como espetáculo público no Recife de 1970 a 1988.

O projeto Fervo, Frevo: aula-espetáculo foi apresentado recentemente no III Festival Latino Americano de Teatro da Bahia, em Salvador (BA), com uma grande aceitação do público, dando continuidade ao seu objetivo de divulgar a pesquisa e o passo. Este é um resultado de grande interesse para os profissionais e estudantes das artes e para o público geral, pois amplia os conhecimentos sobre o frevo pernambucano, valoriza o teatro de pesquisa, ao mesmo tempo em que enaltece a prática dos brincantes populares. Dessa maneira, buscamos contribuir para a divulgação e a valorização da cultura do nordeste, do frevo e do teatro de pesquisa, fomentando a diversidade da produção cultural da região. A pesquisa pode ser acompanhada pelo blog: www.viviver.blogspot.com